Pesquisar este blog

Procure os vídeos da atriz Cíntia Vieira no Youtube:

Loading...

Eu

Eu
Mulher; vegetariana; atriz de teatro; e muito mais: Cíntia Vieira

Bem vindo! Favor ler e comentar os meus textos neste blog. Obrigada!

  • Princesas modernas; Andar em perna de pau é imitar a vida; O uso do microfone; A expressão coporal; Você faz teatro?; Puxa! Não façam isto!; O ganha pão pode vir da alma; O que eu chamo de relação burguesa; etc.
  • Lembre-se: para copiar obras e fotos da internet deve-se colocar a fonte e o nome do autor. Vamos valorizar o artista!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mais um texto que eu assino embaixo de Maria Berenice Dias

                      A RAINHA DO LAR
 
"A rainha do lar Assim como os reis e as rainhas “de verdade”, também as mulheres são submetidas, desde o nascimento, a um rigoroso treinamento para o desempenho da missão à qual foram predestinadas. As meninas são vestidas de “cor-de-rosa”, para identificar toda a sua suavidade e doçura. De imediato, furam suas orelhas e lhes colocam brincos, sendo adornadas com laços, rendas e fitas. Afinal, as mulheres têm de ser belas e sedutoras e, além disso, ser meigas, castas e recatadas. Seus brinquedos são bonecas, panelinhas, casinhas, nada mais do que instrumentos que se destinam ao bom desempenho do seu reinado. O único e grande sonho de realização é encontrar o príncipe encantado, casar e ser feliz para sempre, como no final dos contos de fadas, dos filmes de Hollywood ou das novelas de televisão.

Depois de toda uma trajetória de culto ao corpo, que inclui malhação, dietas, academias, e após muita espera e persistência, eis que chega o grande dia. Vestida de noiva com véu e grinalda, é entregue pelo pai ao marido, até que a morte os separe...

Aí começa o seu reinado. Seu cetro é a vassoura, sua coroa, quem sabe, uma lata d’água e seu manto, montanhas de roupas para passar. Como lhe ensinaram, a ela cabe o papel de esposa e mãe, o que não raro se desdobra em cuidar de doentes e idosos. É a responsável pelas tarefas domésticas. Isso inclui limpar, cozinhar, lavar, costurar, fazer compras, além, é claro, de cuidar da educação, da socialização, da saúde e do bom desenvolvimento dos filhos, mas sem descuidar do marido. Porém, essas lides caseiras não são reconhecidas, não gozam de qualquer prestígio social. Por não ser trabalho remunerado, não é contabilizado, não possui valor econômico. Assim, as donas-de-casa são trabalhadoras que não recebem salário, não fazem jus a descanso semanal, limite de jornada, feriados, licenças e nem à aposentadoria ou à previdência social.

A obrigação pelo exercício dessas atividades está ligada à equivocada noção de que elas decorrem da natural divisão do trabalho. Por terem as mulheres o monopólio da função reprodutiva e a capacidade de amamentação, a elas se atribui, com exclusividade, toda a responsabilidade pela criação dos filhos e organização do lar. No entanto, a reserva de papéis diferenciados ao homem e à mulher é uma construção cultural, que acaba gerando uma hierarquização pela mais-valia que se atribui às atividades masculinas pela só razão de que os homens ocupam o espaço público, monopolizam o poder econômico e o político.

Todos olvidam que a mulher desempenha papel fundamental para a subsistência não só da família, mas do próprio Estado, pois é a responsável pela procriação e criação dos cidadãos de amanhã. Seus filhos são a força de trabalho que irá garantir a continuidade da sociedade. Ainda assim, o trabalho feminino não é valorizado.

Quando, apesar de todos esses obstáculos e limitações que as atividades domésticas impõem às donas-de-casa, elas conseguem se inserir no mercado de trabalho, passam a desempenhar dupla jornada. Como não conseguem se livrar de seus encargos familiares, têm menos disponibilidade de viajar, freqüentar cursos, estudar, isto é, menos condições de se qualificar, o que limita salários e dificulta a ascensão profissional.

Não bastasse tudo isso – ou talvez em face de tudo isso – a rainha do lar ocupa uma posição subordinada e de submissão, pois deve obediência ao marido, dono e senhor da casa.

De todo esse reino de sujeição, a rainha, sem dúvida alguma, é sempre a mulher. Até quando? Mister que tome consciência de suas potencialidades e busque sua realização pessoal para além do circuito doméstico. É preciso que desça do trono e se torne uma ativista na luta pela sua dignidade humana."
 Maria Berenice Dias
www.mbdias.com.br

"É necessário o dia da mulher, para não esquecer que há um longo caminho a percorrer: o da cumplicidade."


Maravilhoso texto de :  Maria Berenice Dias
Advogada especializada em Direito das Famílias, Sucessões e Direito Homoafetivo. Desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Vice-Presidente Nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família/IBDFAM. Pós Graduada e Mestre em Processo Civil.
Fonte: Jornal Sutiã de POA.
A VEZ DOS HOMENS
 "Quando se fala no dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher - duvido que alguém não tenha ouvido a célebre pergunta: por que um dia para as mulheres? Não há um dia para os homens! Ou ainda, é dito, de forma jocosa que o dia das mulheres são todos os dias; que as mulheres estão invadindo todos espaços e ocupando os lugares masculinos.

De fato, até a bem pouco tempo atrás ninguém sabia que havia um dia no calendário dedicado à mulher. Era uma data que passava despercebida. Afinal, a palavra feminismo era quase um palavrão e nenhuma mulher tinha coragem de se identificar como feminista, sinônimo de mulher feia, mal amada, que ninguém quis, que tem raiva dos homens ou é lésbica.

Claro que as mulheres já vêm conquistando o espaço público e estão conseguindo se inserir no mercado de trabalho. Mas, ainda que tenham um grau de escolaridade superior, recebem remuneração inferior e é difícil o acesso aos postos de poder. Também na política a chamada ‘bancada do baton’ é praticamente nula.

Para obter aceitação a tendência da mulher é copiar o modelo masculino. Ao ocultar suas características femininas, acaba condenada à invisibilidade. Assim, a presença das mulheres não significa aceitação das qualidades que lhes são próprias. O molde ainda é o masculino, e a mulher precisa acomodar-se nele.

Apesar desses ‘avanços’, no reduto doméstico, a relação permanece verticalizada. Os homens não se sentem compromissados com o que diz respeito ao lar. No máximo se dispõem a prestar alguma ajuda, o que significa mera colaboração para o desempenho de atividade que não é sua, é de outrem. Não tem consciência de que as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos são encargos comuns do par. Mas para isso é preciso que as mulheres deixem os homens fazerem o seu papel sem ter medo de perderem seu reinado. Aliás, essa é a grande queixa dos maridos e companheiros: não colaboram com a casa, não cuidam dos filhos, porque as mulheres não deixam, acham que eles não sabem fazer nada. Pudera, as mães nunca permitiram aos filhos brincar de boneca, entrar na cozinha, ou fazer qualquer outra atividade que pudesse comprometer sua virilidade. No fundo, é o velho temor à homossexualidade que torna os homens com tão poucas habilidades para as coisas tidas como femininas.

Assim, acabam as mulheres sujeitando-se à famosa dupla ou tripla jornada de trabalho. Mas a solução está em nossas mãos. Não basta só a mulher mudar, é preciso mudar a forma de educar os filhos. Eles serão os maridos e os pais de amanhã e só serão participativos se lhes ensinarmos que homem chora; que carência afetiva não é sinal de fraqueza; que cuidar de filhos, arrumar a casa, pregar botão, não diminui ninguém. Ao contrário, são atividades absolutamente prazerosas, nada mais do que manifestação de afetos.

Por isso é necessário lembrar o dia da mulher, para não esquecer que há um longo caminho a percorrer: o da cumplicidade."

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Você quer estar na cruz ou batendo os pregos?




Lendo esta frase pensei não na questão religiosa em si, mas em duas faces do ser humano.
“A vitimização é o processo de tornar-se vítima, consciente ou inconscientemente, dentro do curso grupocármico de acordo com a lei de ação e reação, no qual o antigo algoz constrangido sofre as conseqüências dos processos parapatológicos e mecanismos antissociais construídos ou mantidos durante o estágio de interprisão.”
O Carrasco, algoz ou verdugo: “são nomes dados ao funcionário diretamente encarregado da execução de uma sentença de pena de morte.”

Quando algo de ruim acontece, algumas pessoas dizem: ”- eu devo ter crucificado Jejus!”
Quando a pessoa faz o bem e todos esperam que ela faça mais e mais: “- me tiraram pra Cristo!”
Quando alguém está no poder, geralmente diz: “-Quem não comete pecados que atire a primeira pedra!”
Você quer estar na cruz (vítima) ou batendo os pregos (carrasco)?
Primeiramente eu respondi esta pergunta dizendo que eu queria estar batendo os pregos. Como uma posição não sofredora. Mas aí percebi que a culpa de batê-los seria grande.
Então comparei as duas posições.
A Vitimização:
A pessoa que se acha a vítima das situações e foge da responsabilidade de assumir as rédeas da sua vida.
Para a pessoa que se senti vítima parece que os acontecimentos desagradáveis que fogem do  seu controle são  sempre de  origem externa. Exemplos: ele é meu carma; Deus quis assim; meu chefe me sufoca; minha doença me prende em casa; tenho que ficar o dia todo em função dos meus filhos e companheiro.
As soluções que buscam para se libertarem também me parecem ser sempre externas: psicólogos que darão a resposta; Igreja que purifica; benzedores; livros de auto-ajuda; etc.
A pessoa presa na cruz diz que se sacrifica pelo bem alheio e que é tirada pra Cristo. Sente-se alguém “muito bom” que vive a vida dos outros.  Ela esta presa a vida que escolheu ou que diz que escolheram para ela em algum determinado momento de sua vida, mas que não quer ver que já não lhe serve mais. Ela não consegue dar um grito de independência e ressuscitar. Na cruz ela se sente tão boa que os outros se aproveitam disso como se ela existisse para fazê-los felizes e servi-los.
O Carrasco:
A pessoa batendo os pregos está cumprindo um papel também, não foi ela que decidiu crucificar o outro (negro; mulher; fraco; pobre), foi “a sociedade”, foi a “ordem de Deus”que ela recebeu nascendo assim. Ela acha que é o seu papel subjugar os mais oprimidos. Lava as mãos e aceita toda a ajuda que vier deles e não reage sacudindo o crucificado e tirando-o do sofrimento porque ele estar ali a sua disposição lhe convém e lhe dá poder. Pelo menos bater os pregos é uma posição mais confortável e facilita a vida da pessoa a escolher outros caminhos. Mas também faz a pessoa sentir-se culpada e na culpa ela fica sempre ali perto do crucificado. Um dependente do outro.

Na autovitimização do fraco ou na culpa do Algoz, as pessoas vibram tanto um com o outro que assim permanecem. Penso que algumas vezes eles até trocam de papel. Mas voltam logo ao seu padrão. As pessoas vítimas ficam se lamentando da vida que tem e dizendo que alguém é o carrasco que as mantêm presas. Já o carrasco justifica a sua mediocridade dizendo que ele não tem culpa de ser esperto e de ser este o seu papel social e cultural.

Eu prefiro imaginar um momento no mundo aonde Jesus Cristo não seja admirado pelo seu sofrimento e sacrifício e sim pelo ser humano pacífico e forte que foi ou contam que foi. Desejo que quem o pregou na cruz não se culpe disso, pois o universo permitiu que fosse assim, mas repense no daqui para frente e que para crescer como ser humano e fazer o seu trabalho, pode decidir ajudar os outros a ser independentes e não ficar crucificando-os e sugando-os cada vez mais. Ajudá-los a ser livres não mais sendo dependentes deles.


Confesso que acabei de pensar como exemplos de carrascos os maridos opressores e sugadores domésticos, os filhos que deixam as suas mães cuidar deles até na fase adulta  e os pais que crucificam o filho que é “diferente”.  E para vitimização as esposas submissas que não vivem a sua vida, as profissionais que ainda acham que devem acumular todas as funções do lar e as mães que são eternas servidoras.

E você? Quer estar na cruz ou batendo os pregos?Veja bem, não pergunto quem você é, mas sim, quem você quer ser, porque  acredito que podemos decidir mudar a posição que algum dia  escolhemos durante a vida. 


Será que quem estava na cruz não era o carrasco? Será que quem bateu os pregos ou estacas, não era Jesus?  Será que não somos todos nós parte uns dos outros? Talvez a imagem de Jesus na Cruz sacrificando-se por nós seja uma forma de nos oprimir e culpar até hoje. Prefiro pensar nele sadio e vivo levando palavras de amor do que ele na cruz sangrando. 

E chega de “Marias” vítimas da vida do filho, vivendo para ele e por ele. É uma visão de uma mulher que não tinha evoluído ainda para perceber o seu valor e igualdade humana. Falo da Virgem Maria que os “carrascos” procuram para ter em seus lares e  que as mulheres ainda buscam ser para não se sentirem culpadas.

Eu desejo que estas duas faces percebam o seu igual valor no mundo e que consigam cuidar mais da sua vida sem descuidar dos seres que amam. Alguns chamam isso equivocadamente de ser egoísta. Eu não acho. As vitimas podem sair desta posição confortável que justifica a sua infelicidade e o medo interior, e os carrascos podem encontrar o seu valor sem buscar o poder e sem escorar-se em outros seres. Buscar outro ofício.

Não é sofrer que é admirável e nem ser o que aponta as fraquezas dos outros e se aproveita delas, mas sim, ter mais unidade humana na igualdade de sexos, no papel social e no poder aquisitivo. Tudo isto sem cruz, sem pregos, sem martelo, sem vítimas e carrascos, afinal de contas estamos em 2010. Até porque, o objetivo da crucificação não era a morte imediata, mas a lenta tortura, suportável por até quatro dias, o que causa muitas suspeitas se Jesus ressuscitou ou se ele foi tirado da cruz e sepultado vivo. Neste caso o mais  importante não é o fugitivo Jesus ou carrasco frustrado, mas sim a cruz vazia!
Cíntia Vieira.
05/02/2010.