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Mulher; vegetariana; atriz de teatro; e muito mais: Cíntia Vieira

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Você quer estar na cruz ou batendo os pregos?




Lendo esta frase pensei não na questão religiosa em si, mas em duas faces do ser humano.
“A vitimização é o processo de tornar-se vítima, consciente ou inconscientemente, dentro do curso grupocármico de acordo com a lei de ação e reação, no qual o antigo algoz constrangido sofre as conseqüências dos processos parapatológicos e mecanismos antissociais construídos ou mantidos durante o estágio de interprisão.”
O Carrasco, algoz ou verdugo: “são nomes dados ao funcionário diretamente encarregado da execução de uma sentença de pena de morte.”

Quando algo de ruim acontece, algumas pessoas dizem: ”- eu devo ter crucificado Jejus!”
Quando a pessoa faz o bem e todos esperam que ela faça mais e mais: “- me tiraram pra Cristo!”
Quando alguém está no poder, geralmente diz: “-Quem não comete pecados que atire a primeira pedra!”
Você quer estar na cruz (vítima) ou batendo os pregos (carrasco)?
Primeiramente eu respondi esta pergunta dizendo que eu queria estar batendo os pregos. Como uma posição não sofredora. Mas aí percebi que a culpa de batê-los seria grande.
Então comparei as duas posições.
A Vitimização:
A pessoa que se acha a vítima das situações e foge da responsabilidade de assumir as rédeas da sua vida.
Para a pessoa que se senti vítima parece que os acontecimentos desagradáveis que fogem do  seu controle são  sempre de  origem externa. Exemplos: ele é meu carma; Deus quis assim; meu chefe me sufoca; minha doença me prende em casa; tenho que ficar o dia todo em função dos meus filhos e companheiro.
As soluções que buscam para se libertarem também me parecem ser sempre externas: psicólogos que darão a resposta; Igreja que purifica; benzedores; livros de auto-ajuda; etc.
A pessoa presa na cruz diz que se sacrifica pelo bem alheio e que é tirada pra Cristo. Sente-se alguém “muito bom” que vive a vida dos outros.  Ela esta presa a vida que escolheu ou que diz que escolheram para ela em algum determinado momento de sua vida, mas que não quer ver que já não lhe serve mais. Ela não consegue dar um grito de independência e ressuscitar. Na cruz ela se sente tão boa que os outros se aproveitam disso como se ela existisse para fazê-los felizes e servi-los.
O Carrasco:
A pessoa batendo os pregos está cumprindo um papel também, não foi ela que decidiu crucificar o outro (negro; mulher; fraco; pobre), foi “a sociedade”, foi a “ordem de Deus”que ela recebeu nascendo assim. Ela acha que é o seu papel subjugar os mais oprimidos. Lava as mãos e aceita toda a ajuda que vier deles e não reage sacudindo o crucificado e tirando-o do sofrimento porque ele estar ali a sua disposição lhe convém e lhe dá poder. Pelo menos bater os pregos é uma posição mais confortável e facilita a vida da pessoa a escolher outros caminhos. Mas também faz a pessoa sentir-se culpada e na culpa ela fica sempre ali perto do crucificado. Um dependente do outro.

Na autovitimização do fraco ou na culpa do Algoz, as pessoas vibram tanto um com o outro que assim permanecem. Penso que algumas vezes eles até trocam de papel. Mas voltam logo ao seu padrão. As pessoas vítimas ficam se lamentando da vida que tem e dizendo que alguém é o carrasco que as mantêm presas. Já o carrasco justifica a sua mediocridade dizendo que ele não tem culpa de ser esperto e de ser este o seu papel social e cultural.

Eu prefiro imaginar um momento no mundo aonde Jesus Cristo não seja admirado pelo seu sofrimento e sacrifício e sim pelo ser humano pacífico e forte que foi ou contam que foi. Desejo que quem o pregou na cruz não se culpe disso, pois o universo permitiu que fosse assim, mas repense no daqui para frente e que para crescer como ser humano e fazer o seu trabalho, pode decidir ajudar os outros a ser independentes e não ficar crucificando-os e sugando-os cada vez mais. Ajudá-los a ser livres não mais sendo dependentes deles.


Confesso que acabei de pensar como exemplos de carrascos os maridos opressores e sugadores domésticos, os filhos que deixam as suas mães cuidar deles até na fase adulta  e os pais que crucificam o filho que é “diferente”.  E para vitimização as esposas submissas que não vivem a sua vida, as profissionais que ainda acham que devem acumular todas as funções do lar e as mães que são eternas servidoras.

E você? Quer estar na cruz ou batendo os pregos?Veja bem, não pergunto quem você é, mas sim, quem você quer ser, porque  acredito que podemos decidir mudar a posição que algum dia  escolhemos durante a vida. 


Será que quem estava na cruz não era o carrasco? Será que quem bateu os pregos ou estacas, não era Jesus?  Será que não somos todos nós parte uns dos outros? Talvez a imagem de Jesus na Cruz sacrificando-se por nós seja uma forma de nos oprimir e culpar até hoje. Prefiro pensar nele sadio e vivo levando palavras de amor do que ele na cruz sangrando. 

E chega de “Marias” vítimas da vida do filho, vivendo para ele e por ele. É uma visão de uma mulher que não tinha evoluído ainda para perceber o seu valor e igualdade humana. Falo da Virgem Maria que os “carrascos” procuram para ter em seus lares e  que as mulheres ainda buscam ser para não se sentirem culpadas.

Eu desejo que estas duas faces percebam o seu igual valor no mundo e que consigam cuidar mais da sua vida sem descuidar dos seres que amam. Alguns chamam isso equivocadamente de ser egoísta. Eu não acho. As vitimas podem sair desta posição confortável que justifica a sua infelicidade e o medo interior, e os carrascos podem encontrar o seu valor sem buscar o poder e sem escorar-se em outros seres. Buscar outro ofício.

Não é sofrer que é admirável e nem ser o que aponta as fraquezas dos outros e se aproveita delas, mas sim, ter mais unidade humana na igualdade de sexos, no papel social e no poder aquisitivo. Tudo isto sem cruz, sem pregos, sem martelo, sem vítimas e carrascos, afinal de contas estamos em 2010. Até porque, o objetivo da crucificação não era a morte imediata, mas a lenta tortura, suportável por até quatro dias, o que causa muitas suspeitas se Jesus ressuscitou ou se ele foi tirado da cruz e sepultado vivo. Neste caso o mais  importante não é o fugitivo Jesus ou carrasco frustrado, mas sim a cruz vazia!
Cíntia Vieira.
05/02/2010.

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